o verso ainda começou

•22 Julho, 2009 • Deixe um comentário

sempre ficarei onde estou
até o tempo passar

com isso carregarei a
brevidade encantadora
do tempo em forma humana

eu sou o que nao escrevo
e a mentira do seu entender…

O Silêncio como representação terminal

•30 Junho, 2008 • Deixe um comentário

Supondo que o silêncio seja uma lâmina
E a vergonha um silêncio em cada mão,
Não é difícil de imaginar quão lânguido
É um poema e sua melancólica desilusão

Supondo que a solidão seja uma janela
E a verdade um corpo ereto através dela,
Não é difícil aceitar os fatos, defenestrar-se,
Afundar-se na representação mórbida final…

meta

•21 Junho, 2008 • 2 Comentários

“Uniu-se então, o passado o futuro e o presente. A Poesia viu que isso era bom e nunca mais parou.”

Um poeta arrependido

O poeta se arrependeu de um dia ter vivido,
Se arrependeu dos caminhos traçados e também daqueles nunca antes percorridos.
O poeta se arrependeu de tudo aquilo que escreveu,
Dos sonhos que sonhou, da felicidade que negou e das lágrimas que escondeu.
Um poeta arrependido não pode mais ser poeta,
Não pode ser sábio, não pode ser filósofo, nem pode ser profeta.
Ó grande poeta, qual seria o motivo do teu arrependimento?
Paixões? Lutos? Ou por esta vida descontentamento?
Sei que em tua mente colidem milhares de universos,
Mas creio que todo este arrependimento, seja apenas motivo para mais alguns versos.
(Marcelo Belini)

Doce tristeza (por Talita)

•2 Junho, 2008 • 1 Comentário

O vinho do meu cálice está acabando
E o seu quase transborda
Seu vinho é doce
Jogue sal em todo esse doce!
Viva da escuridão por um tempo
Apague as luzes e apenas sinta
Será que não percebe que já estou embriagada!
Vou entrar em coma.

(Talita)

A morte do áporo

•1 Junho, 2008 • Deixe um comentário

a vertigem de um encéfalo alado
e um bisturi bélico, estupra-me a retina
todos os dias de minha vida

mas hoje ela me cansou
cansou minhas ‘pálpebras’

hoje a adrenalina aflorou
pela última vez

eu morri
porque reza a lenda
que tudo morre

Pseudônimo de hoje: Oni Rico

•1 Junho, 2008 • 1 Comentário

O delicado e caótico bater de asas
da borboleta, sopra-me ao ouvido.
Transforma-se num áspero estampido
do choque dos címbalos de adrenalina.

O inconsciente suplica em me acordar.
Eu capturo a tinta onírica no papel ilógico.
O poema mais lúcido nasce do sonho pródigo.
O que me resta agora é forçar um falso despertar.

•31 Maio, 2008 • 1 Comentário

Eu estava ali
meio ao sol
meio à sombra
meio a mim
meio a esmo
meio à sombra
de uma árvore do outro
lado da vida
ou da avenida
meio ao vento
esse que não perde tempo

O que sobrou do ato

•28 Maio, 2008 • 2 Comentários

Hoje eu senti o mundo numa visão diferente.
Nem privilegiada nem constipada, diferente.
Por um instante.
Foi como se a vida fosse pega
de surpresa no seu ensaio matinal.
Caiu o pano, logo o espanto de ambos,
eu e a vida ali parados e o cotidiano continuando.
Foi como se os atores diante do vexame
vestissem máscaras de nádegas rosadas.

Ontem eu bebi o mundo numa garrafa diferente.
Era eu, cego pelo som refletido no fundo do último gole.
Ontem eu fumei o mundo num cigarro diferente.
Era eu, analisando a peculiaridade da fumaça que some.

Poema em forma de poema

•20 Maio, 2008 • Deixe um comentário

Eu vou sair. Sair. Sair.
Sair por aí, conhecer os
desertos, vilarejos, castelos
e ilhas que tanto li. Quem sabe
me ocupar com que eu mais gosto
e me tornar o que já sou.
Quem sabe?
Passar um tempo longe daqui,
quem sabe tempo suficiente
pra me esquecer e me tornar
estranho, estranho de mim mesmo.
Assustador.
Quem sabe, depois, voltar,
trazer o estrangeiro-eu pro lar, e
então sentir vontade de se sentir só
igualmente antes (impossível!), difícil de explicar

No fundo, eu só quero chegar no fundo,
assinar o atestado de incapacidade
e profetizar a estirpe
de reverter qualquer situação.
Quem sabe?

Discutindo Ilusão

•20 Maio, 2008 • Deixe um comentário

Mais banal que a tentativa da auto-definição, é querer cultivar por completo a coletiva ilusão.