da traição

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vamos vacilar um sigilo
vamos errar o beijo em se dar
vamos hesitar diante da intuição
vamos viver além da coragem
vamos desafinar os sentidos

só não podemos trair a solidão
por uma efêmera, ríspida e coletiva ilusão

posi

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posso possuir um paradoxo, um ponto de vista, um dilema
posso trair uma vírgula, uma cena, todo um poema
mas não suportar essa muralha de vento dentro de mim

posso possuir a palavra, o gesto, o método
possuir a mim possuído a sonho sexo sem nexo
mas não suportar o mar ressacado dentro de mim

como posso ser nada do que escreves em mim?

são anos luz pra mesma abelha voltar na imensidão do mundo dela
…pro inseto sujo alado dirigir o igual trajeto afora janela
…pro cheiro ter a imagem acústica do nascer de um sentinela

não mais procuro entender o muro, o mar, o nada
não devo nem temo nada ao que ainda me espera
nem a espera oscila-me nessa fustiga esfera

ânsia-palavra

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eu tenho a lembrança de hena da infância
tenho a cena procrastinada do espelho
também tenho a cor fúcsia num desejo
as vezes nada orna quando consta ânsia

perspectivas apenas

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o papiro está moderninho demais
o sonho tecnológico demais
o amor virtual demais
escrever-vil demais
viver-vão demais
viver-são demais
escrever-mui demais
o amor virtuoso demais
o sonho antiquado demais
o papiro está eficiente demais

Déjà vu

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eu vou roubar algo de mim
alheio estrangeiro infinito e íntimo
eu vou roubar algo de mim
de um tempo ainda não vivido
umas vidas que ainda viverei
uns versos que ainda rimarei
eu vou roubar
vou me plagiar

Sentidos aguçados!

2 Comentários

acordar com a dor da cor no olhar
reconhecer a cicatriz da sombra no ar
um pássaro refletido na janela do sono
nada agradável vomitar um nervo alado
a nostalgia manifestando-se sozinha
o incômodo dos sentidos bagunçados

Post Scriptum

1 Comentário

capturo-me na adrenalina post-scriptum
no meu canto vago em pensamentos veementes
balbucio entre passos e universos
balbucio entre o que se criou e se abortou
balbucio entre o auto-e-o-conflito
e meus sonhos aflitos
balbucio entre voltar ao convívio social
e a vontade de aqui me capsular

nessa adrenalina boa infernal
sair na contra-mão do que em mim vive
o ser subjetivo de não saber

dessa vez não houve vinho
talvez não haja jamais

O que não é passageiro é Mel

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‘sou aquele que poderia ter sido’
se não fosse aquela nossa paixão
teria me perdido nessas viagens
agora, viajo para despertar ou disfarçar
a vontade de voltar pra casa
te escrevo para despertar ou aquietar
o que poderíamos ter vivido de Melhor
‘pois metade de mim é partida
e a outra metade é saudade’
… saudade do que poderíamos ter vivido

‘a parte disso, temos em nós todos os sonhos do mundo’

TRÊS

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…Do dia em que o homem gravou o três vezes três,
pelo segredo, a tristeza se fez…
Sete se passaram e mais penúrias, quando em rochas ocultas se encontrava,
Mal sabia o artesão que sua própria artífice em falso pisava…
Em mais sete então, ao buscar o passado,
Dos três ciclos solares da mortalidade, esquecido, foi novamente castigado…

(Antonio Chiari)

Ao pluri-Belini

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Não me conformo, Turismólogo
Injustamente logo, sou eu que viajo

Dá-lhe-me conforto, Irmão
sinceramente estou a um passo do avião

Ensine prototipicamente, Professor
não preciso lembrar, você sabe do seu clamor

Profecie as sabedorias, Filósofo
Saudoso, o bilhar encontrou-se monótono

Deixe-me ousar, Meu
O nome dela é ainda
ainda doce como o Mel

Abstracione mais e mais, Artista
E aguarde, sim! E até à vista!!!

Estacione mais e mais, Motorista
Por essa você não esperava hein, Ateísta!

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