Déjà vu

eu vou roubar algo de mim
alheio estrangeiro infinito e íntimo
eu vou roubar algo de mim
de um tempo ainda não vivido
umas vidas que ainda viverei
uns versos que ainda rimarei
eu vou roubar
vou me plagiar

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Sentidos aguçados!

acordar com a dor da cor no olhar
reconhecer a cicatriz da sombra no ar
um pássaro refletido na janela do sono
nada agradável vomitar um nervo alado
a nostalgia manifestando-se sozinha
o incômodo dos sentidos bagunçados

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Post Scriptum

capturo-me na adrenalina post-scriptum
no meu canto vago em pensamentos veementes
balbucio entre passos e universos
balbucio entre o que se criou e se abortou
balbucio entre o auto-e-o-conflito
e meus sonhos aflitos
balbucio entre voltar ao convívio social
e a vontade de aqui me capsular

nessa adrenalina boa infernal
sair na contra-mão do que em mim vive
o ser subjetivo de não saber

dessa vez não houve vinho
talvez não haja jamais

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O que não é passageiro é Mel

‘sou aquele que poderia ter sido’
se não fosse aquela nossa paixão
teria me perdido nessas viagens
agora, viajo para despertar ou disfarçar
a vontade de voltar pra casa
te escrevo para despertar ou aquietar
o que poderíamos ter vivido de Melhor
‘pois metade de mim é partida
e a outra metade é saudade’
… saudade do que poderíamos ter vivido

‘a parte disso, temos em nós todos os sonhos do mundo’

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TRÊS

…Do dia em que o homem gravou o três vezes três,
pelo segredo, a tristeza se fez…
Sete se passaram e mais penúrias, quando em rochas ocultas se encontrava,
Mal sabia o artesão que sua própria artífice em falso pisava…
Em mais sete então, ao buscar o passado,
Dos três ciclos solares da mortalidade, esquecido, foi novamente castigado…

(Antonio Chiari)

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Ao pluri-Belini

Não me conformo, Turismólogo
Injustamente logo, sou eu que viajo

Dá-lhe-me conforto, Irmão
sinceramente estou a um passo do avião

Ensine prototipicamente, Professor
não preciso lembrar, você sabe do seu clamor

Profecie as sabedorias, Filósofo
Saudoso, o bilhar encontrou-se monótono

Deixe-me ousar, Meu
O nome dela é ainda
ainda doce como o Mel

Abstracione mais e mais, Artista
E aguarde, sim! E até à vista!!!

Estacione mais e mais, Motorista
Por essa você não esperava hein, Ateísta!

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Tergiversar

À jamais cheirarmos juntos ainda aquela erva-sincera, Agradeço-lhe Irmão
Diga-se de passagem, sua sina nesse triciclo vai ser me aturar, atirar-me exclamações
Um prisma discorrerá solto, quem sabe três, três em cada braço, em cada pouco
Uma profecia será pouco. De coração: não deixemos vacilar pelo cansaço. Louco.
(…)

tentando lhe escrever preso à rimas e simetrias me mata
foda-se, pra que vírgulas e rótulos e mesmo interrogações
foram-se horas pelas primeiras quatro frases-sílabas-poéticas
e pra cá, essas, precisaram apenas umas descargas de descargas
porque (não tem porque também, foda-se novamente)
aí está! o que lhe me coube agora, Chiari: overdose ao que se fode!

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