Zumbis

Você quer se juntar a eles?
Você precisa de um vacilo qualquer
Precisa ressurgir do fundo do poço
Ou nascer num berço de ouro
Precisa diferenciar os vivos dos mortos
Com os olhos fechados!!! Com os sentidos atados!!!

Você quer realmente ser um deles?
Você precisa estar escondido
Dar o bote no momento certo. Sem pensar!!!

Você quer continuar no elenco?
Você deve se vestir como um
Divagar como um, rosnar, grunhir
Substituir o velho olhar familiar
Acurar aquele sorriso polivalente

Você quer ser confiável entre eles?
Para aqueles que você mente
E então poder atacá-los de repente
Você precisa ter movimentos distintos

E quando você enlouquecer
Desprovido da carne encefálica
Você continuará fingindo
Eternamente colhendo o que plantou

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Uma semana no Cairo, parte III

Na verdade, antes de dormir eu fui ao mercado fazer uma pequena compra, pois eu tinha fome. Papel higiênico, desodorante, sabonete, bolo rocambole, pães, maionese, água e refrigerante. 112 Libras Egípcias! Isso mesmo, assustei-me com o preço, mas o que faltava mesmo era eu aprender a lidar com o dinheiro de lá. 

Sem dizer que eu tive que arcar com quase LE300 pelas 7 noites do hostel. Se nao me engano foi isso.

Alimentei-me ali mesmo no quarto.

Fiquei com medo de mosquitos, eu nao havia tomado nada contra as possíveis doenças, e a janela nao tinha vidros, contudo, nao havia sinal de mosquitos. Dormi.

Algum tempo depois, ainda de madrugada, fui acordado por gritos de um manifesto que vinha lá das ruas. Podia ouvir de longe como um coro que repetia as palavras de um líder, com gritos do fundo dos pulmões. Meus dias no Egito coincidiram com alguns manifestos e consequentes conflitos com a polícia. Que se estenderam por vários dias. Eles lutavam por seus direitos, afinal eles estavam sem um presidente, eles queriam eleições sem fraudes. Superficialmente falando.

Quem entende árabe pode traduzir os dizeres da imagem ao lado. Quando você andava pelas ruas e eles te reconheciam como turista, logo eles vinham e gritavam “Revolution! Revolution!”. Enfim, adiantei um assunto que tratarei mais adiante.

 

Gravei os manifestos. Voltei a dormir. Tudo tranquilo.

Na manhã seguinte era hora de relaxar. Começar o dia devagar. Tomar um banho. Aprender sobre as peculiaridades do hostel.  Analisar os outros hóspedes. Comprar o café da manhã que eles oferecem! Egypcian Breakfast. Pao com manteiga ou geleia, ovo cozido e um café com leite básico. Nada de mais. Eu particularmente nao gostei e nao comprei mais.

O hostel era esse. Aquele do Terraço. Aos poucos fui conhecendo o pessoal. Com cumprimentos passageiros. O que nao faltava eram os gatos. Animal sagrado por lá. Este aí queria toda hora entrar no meu quarto.

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Uma semana no Cairo, Parte II

Pra quem pensou que peguei aquele comboio da foto anterior, enganou-se. Não teve como, eu perdi a hora exata da partida. Porque lá é o seguinte, muita das vezes os ônibus nem param, eles passam com as portas abertas e os passageiros que se virem, sim, devem correr atrás! O que eu fiz? Chamei o Mohamad e combinei LE50 até o meu endereço. 

Nao dá pra negar o medo que tive, ainda mais quando vi o carro dele, um modelinho muito antigo. Mas agora estava feito, aliás estava escurecendo em meu primeiro dia em Cairo e eu precisava estar no albergue o quanto antes.

Em cidade com grande fluxo de turistas, qualquer taxista é um ótimo guia. A imagem já diz tudo. Mohamad apontava todos os lugares e com suas explicações concisas. Foi tranquilo, comecei ali a adquirir mais confiança neles. Sobre o trânsito, parece um tanto quanto caótico sim, mas eles nao se relam. Pedestre é que deve ser bem atento.

Quando chegamos já era noite, mas nao foi difícil de encontrar o albergue. Ficava bem no centro, próximo a Tahir Square. Mohamad até ajudaria com a bagagem se eu aceitasse, mas ficou por isso mesmo. Eles entregam cartões e oferecem para guardar número de celular, eu o fiz tranquilamente. Enfim. Ali fiquei na porta do albergue. Sétimo andar! Elevador maravilhoso de velho!

Os mochileiros adoram essa parte, conhecer o hostel (albergue) que você bookou (reservou) com tanto carinho uns meses atrás. Deixarei o link. Nao tive problemas na minha estadia, aliás nota 10 para os “staffs” http://www.hostels.com/hostels/cairo/dahab-hostel/6292

O hostel ficava no terraço. Quarto individual. Muitos malucos mochileiros de toda parte do mundo. Eu fui deitar, pois a viagem havia sido longa!

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Uma semana no Cairo, Parte I

Era Novembro de 2011, voo direto de Atenas para a cidade do Cairo. 

Depois do tocador de mp3 ter me deixado na mao, eu estava quase jogando ele pela janela do avião! Mas enfim, de agora em diante era eu apenas, a bagagem, um endereço nítido em árabe e algumas libras… 800 libras Egípcias. Das quais 90 já ficaram para a imigração logo no aeroporto! Esse é o preço do visto que nao necessita ser previamente requerido. O papel colado no vidro da cabine dizia “$15” o equivalente aos LE90, aliás, existem alguns caixas eletrônicos se você preferir sacar as libras. O segundo passo, após pegar aquele visto bonito carimbado em seu passaporte, seria entrar de fato em território Egípcio. Tranquilo. Passaporte e passagens em mãos. Nao me recordo do agente da polícia me perguntar qualquer coisa, apenas rolou um básico e claro “hello”, em caso de conversa: English Please!

Pronto! Cairo, aqui se encontra mais um brasileiro perdido! Pra onde ir?! Qual a melhor condução para a cidade?! Devo conversar com os outros turistas?! Há outros turistas?! Fodeo, os egípcios estão vindo em minha direção!!! Querem me colocar em seus taxis-clandestinos!!! Digo, “I just want to eat something!” um deles responde, “Wait? Wait for who?” repito, “eat, eat!!!” Sim, os egípcios no aeroporto querem te por em taxis a preços de turistas desinformados e desorientados. Quase o meu caso!

Quase me perco atravessando o estacionamento, ando pra lá e pra cá. Aí percebo que parecer perdido é a pior coisa em Cairo, eles tentam te explorar ao máximo. A cada passo que se dá ouve-se muita buzina, sao os taxistas te chamando. Reparei também que há um ônibus azul que passa por ali pelo menos a cada 10 minutos. Consegui perguntar pra onde vai e se há custo. Ele leva os passageiros para uma rodoviária próxima e nao há custo. Fui. Estava calor, por perto dos 30 graus. Eu vinha de um frio de 4 graus, estava de casaco e nao tinha como tirá-lo, ou porque eu tinha medo ou por outro motivo qualquer. Descobri que era para essa rodoviária que eu deveria ir se eu quisesse pegar o comboio para o centro da cidade. Tranquilo. Dentro do ônibus aquele contato mais próximo e estranho com os muçulmanos, todos me olhavam e vice-versa. E eu ainda com o medo de assalto ou coisa do tipo. Coisa que vocês verão mais pra frente que nao existe lá.

Foi rápido, do aeroporto para a tal rodoviária foram no máximo 15 minutos, nem isso. Lá você espera o ônibus para o Cairo (centro), mas como ler árabe?! Nem os números eu tinha a mínima noção! A sorte que lá estao os taxistas, mas como eu já estava um pouco mais esperto, eu deixava eles virem conversar comigo, assim eu podia tirar proveito pedindo informações. Um deles, Mohamad, falava um inglês bom e até me escreveu num papel o número, em “latim”, do comboio que eu deveria pegar para Cairo. O valor desse comboio (foto) era por volta de LE5 e uma corrida de taxi por volta de LE60. Esperei lá, sentei, observei tudo e muito, tudo muito diferente, costumes, idioma… Enfim.

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da traição

vamos vacilar um sigilo
vamos errar o beijo em se dar
vamos hesitar diante da intuição
vamos viver além da coragem
vamos desafinar os sentidos

só não podemos trair a solidão
por uma efêmera, ríspida e coletiva ilusão

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posi

posso possuir um paradoxo, um ponto de vista, um dilema
posso trair uma vírgula, uma cena, todo um poema
mas não suportar essa muralha de vento dentro de mim

posso possuir a palavra, o gesto, o método
possuir a mim possuído a sonho sexo sem nexo
mas não suportar o mar ressacado dentro de mim

como posso ser nada do que escreves em mim?

são anos luz pra mesma abelha voltar na imensidão do mundo dela
…pro inseto sujo alado dirigir o igual trajeto afora janela
…pro cheiro ter a imagem acústica do nascer de um sentinela

não mais procuro entender o muro, o mar, o nada
não devo nem temo nada ao que ainda me espera
nem a espera oscila-me nessa fustiga esfera

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ânsia-palavra

eu tenho a lembrança de hena da infância
tenho a cena procrastinada do espelho
também tenho a cor fúcsia num desejo
as vezes nada orna quando consta ânsia

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